test

Crisalina

Helvi saiu de casa a correr na direcção do vento. Parou. Deteve-se naquela nuvem de gás…o aroma dos pinheiros.

Achou a Lagarta-Azul, claro! Tinha perdido uma risca, a risca da razão pura. Para que raio precisava ela da razão pura (?) se não existe? Ou se existe não é tangível?! Será ela a porta da felicidade?

Bom, depois desta conversa electromagnética, a Lagarta-Azul decidiu-se no vermelho e no verde. Helvi, que neste dia ainda sem o Sol-dos-Mil-Raios, estava azeda e fria, comeu a vermelha. Depois do alimento neurológico continuou a correr…conseguiria agora levantar voo.

Apanhou a Foca-Voadora contra sua vontade: “Fala-me da tua zerpoii!”.  A Foca ainda aturdida com o intruso, não respondeu logo. Após duas cambalhotas que deixaram Helvi de braços trocados latiu à foca: “A minha zerpoii é colorida.”

Crisalina

“Quando o Sol-dos-Mil-Raios aparece no fundo do mar vejo flores que radiam ondas electromagnéticas de todas as cores visíveis e invisíveis, estradas de borboletas e pólens de mar…tudo. A minha zerpoii é isto”

Insatisfeita Helvi largou a foca voadora “Uma zerpoii bonita mas …não é a minha, não me chega.”. Foi aterrar numa folha do Plátano destruindo parte da Grande-Teia.

A Aranha-do-Plátano, irritada, com a sua fabulosa e biológica máquina de seda fez de Helvi um novelo. Ficaram de fora dois olhos, o ouvido central e os lábios móveis…para que se justificasse perante a Juíza na sua qualidade de réu. Helvi chamada ao Baloiço-Balancé tentava o equilíbrio. Disse apenas: “Procuro a minha zerpoii”.

A Juíza, uma viúva-negra, conhecia bem esta dúvida…ou procura. “A tua busca dará frutos. Experimenta deixar de correr.” Dizendo isto a Juíza estabeleceu o equilíbrio. Permitiu a Helvi correr novamente, livre dos fios que a atavam. Não correu. Imóvel na folha do Plátano susteve esse impulso. “Vou saltar!”

Apenas sobre a acção da gravidade descia, descia, atravessou a eternidade, atingiu um ponto de equilíbrio das forças.

testepage3

Descobriu o seu sol ainda pequenino e a sua força puxava-a. Iniciou, desta forma um movimento orbital. Percorreu montanhas e lagos, cidades e rios, nuvens…muitas nuvens. Conheceu Humanos, Algicotis e Trobiscassinos. Maravilhou-se. A descoberta da diferença, da possibilidade de coexistência em diversidade. Sentiu-se arrebatada por sentimentos de paz e amor que ignorava.

Não fora vencida na sua busca e, mais firme que nunca, brilhou! Nasce uma estrela.

O Sol de Helvi é um titã…. “Está cá dentro…” murmura. Adormece.

A Lagarta-azul, rica em vitaminas verdes metamorfoseia-se dentro de Helvi. Helvi, agora quente, descobre o seu coração.

Traço agora o caminho para a minha zerpoii…

2002 Julho 02

Creative Commons License The text and the illustrations presented in this post are licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *